domingo, 4 de setembro de 2016

Comentários Eleison: A Glória de Maria

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDLXXVII (477) - (3 de setembro de 2016):


A GLÓRIA DE MARIA


Toda glória que Maria busca é para seu Filho.
Para si mesma, ela não busca glória alguma.

O período entre as festas católicas da Assunção de Nossa Senhora ao céu (15 de agosto) e da Natividade de Nossa Senhora (8 de setembro) pode ser um bom momento para refletir sobre a maior objeção protestante em relação à devoção dos católicos a Nossa Senhora, a saber, que toda atenção, honra e oração dirigida a Nossa Senhora é excessivamente tirada de Nosso Senhor – somente ele é nosso Redentor, de modo que só a ele toda a nossa devoção, adoração e oração devem ser dirigidas. A citação seguinte, vinda de Nosso Senhor mesmo, coloca muitas destas objeções em uma diferente perspectiva:

O olho humano não pode olhar diretamente para o sol, mas não encontra dificuldade em mirar fixamente para a lua. O olho espiritual da alma humana não consegue observar a perfeição de Deus em si mesma, mas pode considerar a perfeição de Maria. Maria é como a lua em relação ao sol. A luz d’Ele ilumina-a, e essa luz ela reflete em vós. Mas ela abranda essa luz em um tipo de névoa espiritual, tornando-a suportável de ser observada por vossa natureza limitada. É por isso que por séculos foi ela que Eu apresentei como um modelo para todos vós, que quero ter como irmãos, precisamente como filhos de Maria, tal como Eu.

Ela é a Mãe. Quão doce é para os filhos apreciar sua mãe! Dei-a para vós por esta razão, para que vós tivésseis uma delicada Majestade para apreciar, esplêndida o suficiente para capturar e manter o vosso olhar, mas não tão brilhante a ponto de atordoar a vista. Somente para almas escolhidas por mim, por uma razão especial que não podeis contestar, mostrei-me em todo o esplendor do Deus-Homem, de Inteligência e Perfeição absolutas. Entretanto, o dom dessa visão tem de estar acompanhado de outro dom, o de tornar as almas viventes capazes de suportar tal conhecimento de Mim sem serem aniquilados por ele.

No entanto, vós todos podeis olhar para Maria. Não por que ela seja como vós, longe disso! Sua pureza eleva-a tão alto que eu, seu Filho e seu Deus, a trato com veneração. Sua perfeição é tão grande que todo o Paraíso se curva diante de seu trono, que se banha no inalterável sorriso e eterno esplendor de Nossa Trindade. Mas esse esplendor que a permeia e a imbui mais do que a qualquer outra criatura de Deus é temperada pelos mais puros véus de sua carne imaculada, por meio da qual ela brilha como uma estrela, recolhendo toda a luz de Deus e difundindo-a ao redor como uma luminosidade suave sobre todas as Suas criaturas.

E assim ela é para sempre vossa Mãe. E ela tem todas as formas de bondade de uma Mãe, que os escusa, que intercede por vós e que pacientemente vos guia. Grande é a alegria de Maria quando pode dizer a uma alma que a ama: “ama meu Filho”. Grande é minha própria alegria quando posso dizer a uma alma que me ama: “ama minha Mãe”. E maior que tudo é nossa dupla alegria quando vemos ambos uma alma que está a meus pés deixando-me para ir à minha Mãe, ou um de vós nos braços de minha Mãe deixando-a para vir até Mim. Porque a Mãe se jubila quando pode dar a seu Filho mais almas enamoradas dela, e o Filho se jubila quando vê mais almas amando sua Mãe. Pois quando se trata de nossa glória, nenhum de nós procura a vitória sobre o outro, pois a glória de cada um é completada na glória do outro.

É por isso que vos digo, “Meus filhos, amem Maria. Dou-a a vós. Ele ama-vos, e somente com a doçura de seu sorriso ela iluminará vossa existência”.

Se os católicos soubessem como deixar sua luz brilhar através deles, eles atrairiam incontáveis almas a seu Filho e a Deus, algo que os protestantes verdadeiramente devotos podem apenas desejar.

Kyrie eleison.

Traduzido por Leticia Fantim.