segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Padrões Duplos Quanto a Gravidez

Por Laura Wood

Traduzido por Andrea Patrícia
 haramaki azulGrávidas devem proteger seus bebês

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O New York Times repreendeu o mundo sobre o “direito” de acabar com uma gravidez (e com a vida de uma criança não nascida) milhões de vezes. A insinuação é que a gravidez é um grave inconveniente. Casais inférteis que desejam adotar recém-nascidos são abundantes, então não significa que uma mulher absolutamente deva ser incomodada após dar à luz.


Bastante estranho (ou bastante lógico), a gravidez não é de modo algum considerada um inconveniente se a mulher está alcançando algo realmente impressionante, talvez atingindo algum objetivo por vaidade que fará dela a emocionante e dinâmica transcendência do antigo estado da feminilidade, a perfeita síntese do macho e da fêmea. Neste caso, a gravidez é tão normal e natural e fácil que as mulheres devem continuar a fazer tudo o que elas fazem normalmente, mesmo se o que elas normalmente fazem envolve todo o estresse que caminha junto com a ambição extrema. Neste fim de semana, a repórter Lindsay Crouse estava efusiva sobre corredoras de elite que treinam para maratonas e outras corridas enquanto estão grávidas, atletas como Alysia Montaño, uma Olímpica, que participou de uma corrida de 800 metros em junho durante seu oitavo mês de gravidez:


“Eu quis ajudar a clarear o estigma que existe em volta da mulher se exercitar durante a gravidez, o que me causa perplexidade”, disse Montaño. “As pessoas algumas vezes agem como se estar grávida fosse uma sentença de morte de nove meses, como se você tivesse que ficar deitada na cama o dia inteiro. Eu queria ser um exemplo para as mulheres começarem uma família enquanto continuam numa carreira, qualquer que seja. Eu fiquei surpresa porque muitas pessoas prestaram atenção.”


A Sra. Montaño vive em alguma toca de coelho, não no mundo real, se ela realmente acredita que as mulheres são rotineiramente aconselhadas a permanecerem inativas durante a gravidez. Esta ideia de limitações opressivas impostas sobre as mulheres grávidas é um espantalho, usado para justificar o flagrante desrespeito pelo bem estar das crianças no útero e a dignidade e a importância da gestação.


Clara Horowitz Peterson [veja aqui foto dela correndo grávida e imodesta], acima, treinou nos últimos estágios da gravidez. Para seu crédito, Peterson, que está grávida de seu quarto filho, acredita que ter filhos enquanto jovens é importante, e uma atleta obviamente pode ser capaz deste tipo de esforço durante a gravidez. Mas Peterson também está disposta a ter sérios riscos com seu filho in utero. Até mesmo atletas de alto nível tropeçam. Isso não é impossível.


Para pular de volta aos treinos, Peterson disse, ela amamentou seu segundo filho por apenas cinco semanas – achando que os hormônios relacionados à amamentação a tornavam vagarosa — e emagreceu os vinte quilos que ganhou durante a gravidez em oito semanas sem fazer dieta (ela amamentou seu terceiro filho por seis meses).


Interessante. A amamentação não faz com que o bebê sinta-se vagaroso, muito pelo contrário. Isto, e as poses imodestas de Peterson em trajes mínimos e extremamente desfavoráveis, sugerem que enquanto ela possa ser fisicamente maternal, suas prioridades não são sempre maternais.


Ela qualificou-se para as maratonas de treinos para as Olimpíadas dos EUA em 2012 apenas quatro meses após dar à luz seu segundo filho, e ela se engajou numa corrida de 2 horas e 35 minutos quatro meses mais tarde.


Eu acho que seus filhos aprenderam a cuidar de si mesmos bem rápido. Isto é o que é fantástico sobre bebês. Eles são tão independentes. “Te vejo mais tarde, mamãe”.


“Nós ainda não temos uma boa ciência para nos guiar” disse o Dr. Aaron Baggish, diretor associado do programa de desempenho cardiovascular no Hospital Geral de Massachusetts em Boston, que aconselha atletas de elite durante a gravidez. “Mas inequivocamente eu penso que as mulheres devem se exercitar durante a gravidez, tanto pelos seus bebês quanto pela saúde delas. O corpo desenvolveu-se desta forma. O nível de sua base de referência de aptidão física é o melhor guia: atletas de elite começam com um limiar mais elevado, para que eles possam fazer mais.”


Talvez a ciência um dia vá alcançar mulheres como esta, que agora está sofrendo de incontinência devido a correr durante a gravidez. Ou talvez a ciência vá alcançar mulheres em carreiras menos exaltadas como a da mulher bombeiro Christi Rodgers, mulheres que forçam-se a si mesmas durante a gravidez e logo após o parto, mesmo arriscando suas próprias vidas.


– Comentários —


Hurricane Betsy escreve:


Outro erro grave é o de as mulheres serem ativas logo após o parto. Toda sociedade tradicional que eu conheço requer que a mulher que acabou de ter um bebê descanse por 30 ou 40 dias. Existem grupos religiosos semicomunais onde eu vivo onde isso é imposto. Durante este tempo, outras mulheres vem até a casa dela, fazem as tarefas de casa e cozinham. A nova mãe apenas descansa bastante a alimenta o bebê. Sim, eu sei que há uma grande explosão de energia louca após o parto, mas isto deve ser ignorado.


Aquela corredora expondo seu abdômen teria sido considerada macabra no Japão antigo (e talvez no Japão moderno também). Elas achavam que a barriga grávida deveria ser mantida aquecida e apoiada com uma coisa chamada haramaki [1], e nunca ser exposta daquela forma aos elementos.


Eu não consigo acreditar nem por um momento que toda essa corrida e outras atividades atléticas sejam boas para a mulher e o bebê. Mas tarde, o dano será visto, provavelmente algo muito pior do que urina pingando.


Eu removi neve, fiz as tarefas de casa, e andei um pouco de bicicleta enquanto estava grávida. Isso foi muito. Nunca corri nenhuma vez.


Josh F. escreve:

Há tanta obscenidade e absurdidade na combinação destas duas histórias de “mulheres” atletas e bombeiro (liberação radical da fêmea para ser mais exato), que mal sei por onde começar. Mas a verdadeira lição é tão sutil que pode ser totalmente perdida.


O que é ser bombeiro se uma obesa mórbida E mãe que recentemente pariu pode fazer isso? O que é correr uma maratona se uma “mulher” com oito meses de gravidez pode fazer isso OU apenas quatro meses após o parto esta mesma “mulher” qualifica-se para as Olimpíadas? O que dizer do rapaz que mal deixou as fraldas e subiu o Monte Everest? O que dizer da menina pré-púbere que navegou todo o globo?


Vamos encarar isto… Estes esforços, quaisquer que sejam, estão vagarosamente mas certamente sendo trivializados e depreciados para acomodar uma margem extrema de fêmeas liberacionistas radicais que inexplicavelmente atendem pelo nome de “feministas”.


Se esta invasão implacável empurra os garotos e os homens para coisas mais extremas ou se os leva para suas “conchas”, “nós” iremos ver um resultado ou outro e quase certamente ambos. Isso andará de mãos dadas com um aumento na morte e na destruição para as fêmeas liberacionistas radicais e para aqueles que são escravos de seu credo.


P.S. O grande absurdo da grávida "atleta" deveria ser autoevidente.


Laura escreve:


Os comentários após o artigo do Times são um verdadeira olhada no pensamento feminista sobre a gravidez. Aqui vai um:


Kiki de Montaparnasse diz em sua autobiografia que ela nasceu quando sua mãe estava trabalhando num campo, fazendo colheita. Ela parou por um momento, acocorou-se, e Kiki saiu. Os corpos das mulheres, quando em forma, são totalmente preparados para acomodar a gravidez a quase todo encargo físico [sic] que elas desempenham. A mãe de Kiki fez isso por necessidade; estas mulheres fazem isso por escolha pessoal. Esteticamente não é a coisa mais bela [sic], e psicologicamente é algum tipo de regressão evolucionária, talvez um modo de manter antigas formas de sobrevivência. Mas quem se importa?”.


O equivalente moderno dos dias atuais de acocorar num campo é trabalhar até o parto e logo após. O que é liberação para atletas de elite é escravização para a mulher comum e é negligenciar a criança.

Original aqui.

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Notas da tradutora:

[1] Haramaki significa algo como “aquecedor de barriga”. Veja uma loja online vendendo os haramaki para gestantes.

4 comentários:

  1. Quando o meu primeiro filho tinha uns 5 ou 6 meses comentei com uma pessoa que estudava medicina chinesa o quanto eu estava cansada... Ela disse que era natural, pois segundo a medicina chinesa o Pós parto vai até os nove meses de vida do bebê. Ou seja, eu ainda estava me recuperando da gravidez... Como os antigos eram sábios!

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  2. Que interessante, Marisa. Realmente os antigos tinham muita sabedoria, pena que tanta coisa se perdeu! Eu lembro do quanto fiquei cansada com meu filho, nossa, havia momentos que parecia que eu ia enlouquecer ou que não iria conseguir mais levantar da cama de tanto cansaço. E olhe que minha mãe ficou comigo os três primeiros meses, cuidando da casa, eu só precisava cuidar do bebê e mesmo assim foi difícil. Emagreci muito rsrsrs. Não consigo imaginar ter que trabalhar pesado logo depois de ter um bebê, na rua, correndo, enfim, é arriscado, é quase loucura.

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  3. Ótimo artigo... Falta muito bom senso as pessoas. É verdade que em uma gravidez saudável é recomendado que a mulher esteja ativa e que parte da intensidade e tipo de exercício dependem do condicionamento anterior.
    Mas uma coisa é fazer hidroginástica para grávidas e outra é correr. Algumas atividades, pelo impacto, pelo risco de acidentes (como foi citado, na corrida ela poderia tropeçar e cair em cima de da barriga) vão acrescentar riscos independente do condicionamento da mãe e dos cuidados tomados.
    Na minha sala de balé tinha uma moça grávida que continuou fazendo aulas toda gravidez, mas sem fazer nenhum salto, respeitando a amplitude dos movimentos e se abstendo de vários exercícios, e antes de engravidar ela estava acostumada a todos esses exercícios de olhos fechados, não importa, nesse momento eles poderiam representar riscos.
    O problema é que pela cultura de morte atual não faz sentido evitar algo que ponha em risco a vida do bb. Afinal, se a mãe tem todo o direito sobre a vida do filho porque não seria louvada ao fazer as atividades como mais gosta?!
    Evitar quaisquer riscos e almejar por uma gravidez (e parto) o mais tranquila, saudável e respeitosa também para o nascituro seria admitir que ele é um ser humano e tem direitos, e Deus os livre de ideia tão arcaica, prefeririam a volta da escravidão.

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  4. Pois é, Cynthia, o que me agonia é ver que ela grávida sai por aí correndo! Eu tomo tantas precauções, minha médica reclama que eu ando rápido demais (meu ritmo é este, eu sou rápida!), eu diminuo o ritmo, fico com a mão na barriga protegendo, enfim, faço o possível para proteger o bebê. E não entendo como uma mulher pode confiar tanto que nada vai acontecer com a criança correndo desse jeito!

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