segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O que dizer sobre cabelo curto para mulher?

Por Tradition in Action (TIA)


Traduzido por Andrea Patrícia




Prezado TIA,



Eu tenho pensado sobre quais tem sido os penteados para senhoras historicamente até os tempos mais modernos. Eu cresci como uma pessoa cansada de ver mulheres mais velhas – mesmo mulheres católicas tradicionais – com os cabelos mais curtos que os cabelos que os homens usam, e não posso deixar de pensar sobre o que as mulheres costumavam fazer com seus cabelos quando tornavam-se grisalhos, quando elas ficavam mais velhas, e mesmo idosas.


Eu não posso deixar de pensar que elas deviam usar algum tipo de coque, mas eu me lembro de minha avó com um cabelo mais curto, cacheado, nos anos em que eu convivi com ela, mas isso foi durante os anos 60 e 70 e no início dos anos 80. Vocês poderiam me dar alguma informação ou um website que discuta estas questões?



Muito obrigada,



E.S., Ph.D.


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TIA responde:


Prezado Dr. E.S.,




F_064_19cenEstilos de penteados do século XIX

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Temos o prazer de responder à sua pergunta. Este é um assunto que já havíamos pensado em falar, e seu pedido nos proporcionou a oportunidade.


Você pode achar interessante saber que até os primeiros anos do século XX, as mulheres tinham cabelo longo. Mechas até a cintura não eram incomuns, e o cabelo mais longo era a norma devido ao fato que cortar o cabelo da mulher era algo feito apenas quando necessário, como em doenças extremas. Cabelo longo era considerado uma marca da feminilidade.


Mulheres jovens e garotas usavam cabelos longos em tranças, ou como uma cascata de cachos no século XIX. Mulheres mais velhas normalmente usavam seus cabelos trançados e enrolados no topo da cabeça ou em coques de estilo francês, presos ao longo da nuca e da coroa.


Se você ler esta breve história sobre o cabelo, você verá que, excluindo alguns estilos extravagantes da corte, não houve mudanças radicais nos penteados femininos através dos séculos.


Então, no início do século XX, a revolução nos penteados femininos começou.



Mode à la garçonne ou ‘o bob’



Em 1908, o costureiro modernista Paul Poiret quebrou as convenções dramaticamente quando ele cortou os cabelos das modelos para apresentar sua coleção em Paris. Na França o cabelo curto era chamado mode à la garçonne, isto é, o penteado de um homem.


No inglês norte-americano, o cabelo curto para mulheres foi simplesmente chamado de o ”bob,” uma referência ao apelido de rapaz Bob já que o estilo era visto como “corte de garoto”.


Em 1917, muitas do cenário cultural afeito aos modismos estavam cortando seus cabelos bem curtos e, em poucos anos, o bob havia atingido proporções epidêmicas. Este estilo supostamente representava a “Nova Mulher Americana”: uma mulher ocupada, ativa e independente, liberada dos antigos costumes sociais.



 c. 1925: Louise BrooksO bob ou corte de garoto

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Muitos críticos na Europa viram isso como um feminismo ascendente, e previram que o cabelo curto para as mulheres seria uma moda passageira. A Primeira Guerra Mundial, entretanto, ao invés de diminuir esta tendência, acelerou-a. Como as mulheres passaram a trabalhar fora, elas adotaram cabelos mais curtos tornados populares por atrizes como Eve Lavallière e Isadora Duncan.


O fim da guerra liberou as classes que viviam na moda de quaisquer restrições morais ou inibições sociais que as mantinham seguindo as tradições anteriores. Nas festas de gala e nos bailes da vitória, os cabelos eram curtos, as mulheres mostravam seus ombros, e as saias estavam subindo. Apareceram as jovens Melindrosas com cabelos curtos e saias escandalosamente curtas.


A vanguarda da moda de cabelos em 1914 – prevista para ter vida curta – tornou-se dominante na época da Segunda Guerra Mundial. O que é certo é que a moda à la garçonne sinalizou uma maior transição no ideal da beleza e do comportamento femininos. Onde a maturidade havia uma vez definido a mulher perfeita, a ênfase havia mudado em direção à juventude e a mudança constante.


A paixão pela juventude e pelo estilo de garoto teve consequências – as modas pós Segunda Guerra enfatizaram a magreza, o estilo atlético, o jeito casual e descuidado, a rebeldia. O bob e os vestidos expondo pernas moças tornaram-se sinalizadores que marcavam uma geração mais jovem e atenta às novas tendências, uma revolução social.


Esta revolução na moda enviou as mulheres em massa pela primeira vez na história para os salões de beleza, ou salons d’ondulation, onde elas recebiam “ondas” (permanentes), penteados com modeladores de cachos, colorações – o loiro platinado como em Jean Harlow. Tudo isso – incluindo o gosto pelo cabelo curto – entrou então nos hábitos dominantes.


f_064_Starts2Estrelas e modelos desempenharam um grande papel ao promover o cabelo mais curto: na primeira fileira Eve Lavilliere e Isadora Duncan; segunda fileira, Audrey Hepburn e Mia Farrow.


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Os anos 60 quebraram todo resíduo de decoro



  F_064_HAIRMusical HAIR em 1968: anarquia de costumes simbolizada pelos penteados rebeldes

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No fim dos anos 60 outra revolução na moda e nos costumes surgiu com incrível energia. Sob lemas como “é proibido proibir” e “poder para a imaginação”, milhares de jovens homens e mulheres protestaram ao redor do mundo contra os valores sociais, morais e éticos herdados de gerações passadas.


Penteados e vestidos tornaram-se mais liberais e ousados: estilos de garoto para as mulheres como o afro ou o twiggy e cabelos longos para os homens estavam em alta. O cabelo tornou-se um símbolo aberto do protesto e da rebelião contra valores tradicionais. Os novos estilos foram inspirados por diversos movimentos revolucionários, como o feminismo, a rebelião hippie, a guerrilha comunista Black Power, etc.


Após isto, o estilo estava aberto a variações anárquicas, e cada estilo de cabelo possível havia sido aceito incluindo o grunge, o visual sujo e muitos estilos andróginos. Em 1990 quase toda mulher – jovem e velha, e inclusive alguns homens – estava colorindo os cabelos.


A falta de oposição ao movimento punk tornou aceitáveis os mais extravagantes cortes de cabelo, como o Moicano, comumente visto em jovens de ambos os sexos nos colégios, e os cabelos azuis, verdes, vermelhos ou violetas agora na moda, especialmente mas não exclusivamente entre as mulheres.



F_064_ButchCorte 'Machão' para lésbicas

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Com a legalização dos “casamentos” homossexuais, muitas lésbicas que desempenhavam o papel de “homem” em seus relacionamentos começaram a usar um extremo radical do estilo bob: elas não apenas imitavam os homens em seus cortes de cabelo, mas usavam até mesmo um corte militar ou machão.


Eu ofereço esta breve história da mudança massiva que tomou lugar nos estilos de penteados femininos no século XX com o objetivo de mostrar que todas estas mudanças, começando com o bob, tiveram intenção revolucionária. Estes estilos foram introduzidos com o objetivo de alimentar a revolução feminista, de fazer as mulheres quererem parecer mais com homens no visual e no vestuário, a adotar novas atitudes ousadas e romper com o comportamento feminino tradicional.


Enquanto de início, era a juventude da moda que adotava tais estilos, eles gradualmente entraram nos costumes dominantes. É por isso que você lembra-se de sua avó com cabelo curto e cacheado: ela estava seguindo o estilo daquele momento.



Uma postura contrarrevolucionária


Como uma mulher católica contrarrevolucionária responde a esta revolução nos penteados que começou apenas no século XX? Eu acredito que é bom retornar ao ideal da mulher feminina, e assim os cabelos curtos devem ser evitados, principalmente para as matronas.


 F_064_Inauguration



Rainha Matilde da Bélgica oferece um modelo feminino em sua inauguração Real

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Quando uma mulher encontra um estilo que é adequado para ela – digno e não difícil de manter – ela deve adotá-lo, e não ficar mudando constantemente de acordo com a última moda.


Hoje, de fato a moda tornou-se uma tirana nas vidas das mulheres. Em nossa opinião, cabe a elas romper com esta tirania e prestar menos atenção as “últimas” tendências lançadas pelas estrelas de cinema e top-models, que não são modelos ideais para a mulher católica.


Nós acreditamos que se as mulheres estão avisadas sobre o processo revolucionário dos estilos de cabelo, torna-se mais fácil romper esta tirania da moda e retornar a feminilidade. Vamos olhar para os modelos ideais de feminilidade que mantém o ideal feminino, e, em geral, este ideal inclui cabelo longo para as mulheres.


Esperamos que esta história e esta resposta possam ajudá-lo.



Cordialmente,

escritório de correspondência do TIA


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Original aqui.

2 comentários:

  1. Gostei do artigo. Outro dia eu estava refletindo sobre isso: até que ponto os cabelos curtos podem masculinizar a imagem da mulher. Particularmente, não usaria os cabelos longos até a cintura (acho pouco prático e me envelhece muito) e nem usaria o estilo "joãzinho" (muito masculino pro meu gosto). Aliás, acho que esse corte não é apropriado para as mulheres, mesmo as de meia-idade. Geralmente, mantenho meus cabelos na altura dos ombros.

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  2. Na altura dos ombros é bom pela praticidade e ainda é feminino. Eu prefiro até o meio das costas, é o que mais uso. Joãozinho é para homens mesmo rsrs...eu já tive o cabelo assim, duas vezes, a primeira ao sete anos de idade, porque era moda e todo mundo fez a minha cabeça para cortar. A segunda vez...eu odiei. minha mãe mandou cortar contra a minha vontade, eu tinha dez anos, sentia-me um menino sem minhas madeixas médias, como costumava usar antes. Isso nào se faz! rsrsrs...ainda bem que cabelo cresce, ufa!

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