segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Virgem Joana, Mãe do Estado Cristão

 (E Flagelo das Feministas!)



Por Solange Hertz


Traduzido por Andrea Patrícia





Joana D'Arc cortou o cabelo curto e usava roupas masculinas. Ela particularmente imaginava armaduras bonitas e belos cavalos, nos quais ela andava montada, e era admirada por sua destreza com a lança. Ela liderou as tropas para a batalha, mantendo-se na armadura por seis dias seguidos, se necessário, e nunca vacilou no seu objetivo, mesmo depois de o inimigo tê-la capturado. Eles tentaram executá-la, não por crimes de guerra, mas por ser uma bruxa.


Podemos esperar para vê-la comemorada em um selo postal ou uma moeda de prata de dólar junto com outras mulheres intrépidas que lutaram pelos direitos das mulheres e derrotaram os homens na própria área de atuação deles. Mas as feministas parecem suspeitar de Joana, como se não chegassem a confiar nela. De qualquer forma, elas não costumam mencioná-la, pelo menos em público, e elas certamente não carregam sua bandeira em manifestações. Isso mostra um grau de perspicácia política de sua parte, pois chamar a atenção para ela iria em breve dolorosamente mostrar com clareza que ela não ligava a mínima para a igualdade de direitos, tanto para homem quanto para mulher.


O que a preocupava era os direitos de Deus. Sua única consideração era com o direito supremo de Cristo Rei sobre a sociedade civil. Estes ela conseguiu pelo uso descarado da força, colocando o legítimo sucessor do sexo masculino sobre o trono francês, onde ele pertencia como designado tenente de Cristo. A bandeira que carregava era branca, salpicada de Flores-de-Lys. Isso deu à luz a figura do Cristo Rei sentado em glória segurando o mundo em Suas mãos, ladeado por dois anjos e os nomes de Jesus e Maria. Joana tinha requisitado essa imagem a um pintor escocês, em Tours chamado Hamish Power, a partir de um padrão trazido para ela do Céu por Santa Margarida e Santa Catarina.


Joana se apresentou ao Rei como Jehanne la Pucelle. Normalmente traduzido como "empregada doméstica" em Inglês, a palavra francesa medieval Pucelle era, então, a palavra comum para virgem. Sob este título Joana lhe informou que tinha ordens do alto para retirar os ingleses da França e coroá-lo em Reims. Ela tinha apenas dezessete anos, cerca de um metro e meio de altura e era analfabeta. Mesmo assim ela estava usando trajes masculinos a mando de Deus, não só porque ela estava prestes a levar tropas para a batalha, mas acima de tudo, porque ela teria de preservar a sua virgindade entre os soldados no campo. O Rei tomou a precaução de pedir a sua sogra Yolande, a Rainha da Sicília, e suas damas para verificar tanto o sexo de Joana quanto sua integridade física.


O resto é história. Infelizmente admiradores de Joana, deslumbrados com o éclat [triunfo]extraordinário de sua vida ativa, até agora enfatizaram quase exclusivamente os aspectos militares da sua missão, vendo-a um pouco como uma menina moleque* santa. Seu lado mais profundo, vislumbrado em suas longas horas de oração, seu jejuns, seus milagres, sua caridade pelos pobres e suas abundantes lágrimas sempre prontas a cair, raramente vem à luz. Pouco ou nenhum conhecimento é tomado de suas profecias. O fato que se levou 500 anos para canonizá-la deve levar-nos a suspeitar, no entanto, que ela pode ser uma santa reservada, de alguma forma especial para os nossos últimos dias. Quando ela foi queimada na fogueira em Rouen sua missão pode ter apenas começado.


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Talvez outra razão para Joana ter vestido roupas masculinas era mostrar ao mundo tão graficamente quanto possível exatamente o que significa ser uma mulher. Montada em seu corcel branco de armadura completa, ela poderia ser a resposta final ao feminismo - uma heresia que começou com Eva, e que agora destrói a sociedade desvirtuando a família até torná-la irreconhecível.


Temos a palavra da Rainha Yolande de que Joana era na verdade uma mulher. Sua elegância alegre, sua doce voz de mulher e comportamento modesto estão enfatizados em uma famosa carta que um senhor francês contemporâneo escreveu ao duque de Milão. Volumes de depoimentos em seu julgamento e na sua reabilitação formal após a sua morte atestam que ela era feminina em todos os sentidos e atraente, portanto. Há mesmo indícios de que uma ação mal sucedida por quebra de promessa foi movida contra ela por um pretendente decepcionado que seus pais tinham escolhido para ela.


Ao longo de sua curta carreira ela deixou claro que preferia estar em casa rodopiando por Domremy do que liderando homens em combate, mas ela tinha que fazer a vontade de Deus. Era seu lema que Ele deve ser servido primeiro. Na verdade uma senhora em seu julgamento citou-a dizendo "sua impaciência era tão urgente que o tempo lhe parecia demasiado longo." Mesmo antes de conhecer o Rei, Joana foi ainda ouvida a profetizar que ela seria a mãe de um Papa, e Imperador e um Rei. O que ela quis dizer com esta expressão enigmática só agora está começando a ser suspeitado. Quando ela foi chamada para dar uma explicação, ela respondeu que o tempo ainda não havia chegado, mas que o Espírito Santo veria isso.


O que se sabe de sua observação é que ela sabia que sua vocação para ser uma mulher e não um homem. Apesar de seu gênio militar, Joana não era uma Amazona, não era uma sufragista, e certamente não odiava os homens. Não foram as mulheres, mas homens que ela levou para a batalha contra outros homens. Seu objetivo, além disso, era colocar um homem no trono da França. Ao fazê-lo, ela justificou a lei sálica que permitia os direitos de sucessão real apenas para a linha masculina. Seu principal propósito era desalojar os ingleses, que há quase cem anos tinham ocupado a França reivindicando o trono para si através da linha feminina.


Não que haja qualquer confusão sobre o papel da mulher no mundo. Deus claramente definiu-o quando Ele criou a humanidade masculina e feminina, e isso nunca mudou. Declarando que "não é bom para o homem ficar sozinho", o Criador fez para Adão "uma auxiliar semelhante a ele mesmo" (Gen. 2, 18). A vocação de toda mulher descansa em ser a ajuda de Deus para o homem, a quem ela está unida indissoluvelmente em uma natureza humana. Sua raison d'être** é a maternidade em primeiro lugar, de uma forma ou de outra, sendo fisicamente ou espiritualmente a geradora das crianças do homem. É um dever que se estende a todas as suas obras.


Arquétipo do Espírito Santo, a mulher é no nível humano o Paráclito por excelência, que nunca age de forma independente, mas aperfeiçoa as operações de pai e filhos. Quando o homem vacila ou desaparece, por sua natureza, ela entra em ruptura. Nossos últimos dias têm testemunhado intervenções significativas por parte da Mãe de Deus, a quem São Maximiliano Kolbe chamou de a coisa mais próxima de uma encarnação do Espírito Santo. Um de seus títulos é "Auxiliadora dos Cristãos". No Gênesis nos foi prometido que ela acabaria por esmagar a cabeça de Satanás, para que possamos acreditar que a guerra em si não é de forma alguma incompatível com a vocação da mulher. Foi prerrogativa de Joana apresentá-la para nós em termos mais claros possíveis, armada e com uma lança na mão!


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O homem herda um defeito congênito do seu pai Adão, que no início não conseguiu afirmar a sua autoridade sobre Eva. Quando, fazendo o que vem naturalmente, ela se adiantou para ajudá-lo por instigação da serpente, Adão lhe permitiu usurpar o seu papel e, assim, mergulhou a humanidade na miséria e na morte. A mesma coisa ocorre na sociedade onde quer que haja um colapso da autoridade, que pela lei natural é intrinsecamente masculina. A mulher automaticamente vem à frente para ajudar. Se ela não é motivada sobrenaturalmente, ela toma posse como Eva fez. A sociedade se torna matriarcal ou pior. Onde as mulheres são corruptas, os homens ficam desprovidos da mais próxima ajuda temporal de Deus, e a sociedade cai em ruína.


Uma mulher com motivações sobrenaturais causa justamente o efeito contrário. Joana fortificou um Rei vacilante, derrotou seus inimigos e colocou-o em seu trono. Por re-estabelecer a autoridade masculina ela salvou todo um povo, suas leis e até mesmo sua Fé. Ela tinha que ser uma mulher, pois a nação foi literalmente renascida nela. Certamente ela não foi a primeira mulher inspirada a se colocar à frente dos acontecimentos em tempo de crise. O Velho Testamento propõe para a nossa admiração a juíza Débora, a bela viúva Judite, a Rainha Ester, Jael e muitas outras como a mulher desconhecida que feriu o ímpio Abimeleque com um pedaço de pedra de moinho em Siquém.


Santa Catarina de Sena lembrou Papas sobre o seu dever e curou o Grande Cisma. Santa Teresa reformou a Ordem Carmelita. Ambas são Doutoras da Igreja, fazendo o que as mulheres fazem melhor, ajudando os homens a fazer o que devem. As duas santas virgens enviadas pelo Céu para instruir Joana na sua missão tinham sido em suas vidas terrenas igualmente envolvidas em colocar os homens no caminho correto. Crê-se que Santa Catarina de Alexandria foi martirizada na bem conhecida roda de Santa Catarina por superar os filósofos pagãos do Imperador Bizantino, em debate aberto. A romana Santa Margarida foi uma popular padroeira do parto.


Quando apareceram a Joana, elas nunca se dirigiram a ela senão como Jehanne la Pucelle, literalmente, Joana a Virgem. Uma vez que a sua missão pública começou, Joana nunca usou qualquer outro nome. Foi assim que todas as suas cartas foram assinadas. Seus piores inimigos da Universidade de Paris escreveram sobre "aquela mulher la Pucelle." Mesmo o Bispo Cauchon, o juiz que a condenou à morte, citou-a no tribunal como "uma mulher com o nome de Joana, vulgarmente conhecida como la Pucelle".


Isso coloca Joana em uma classe por si mesma, pois até que ela tenha entrado na história, nunca tinha sido concedido – com exceção da Santíssima Virgem - tal título como seu próprio nome. Esse caso é único entre os santos. A Imaculada Virgem Maria, como Mãe do Filho de Deus e de Seu Corpo Místico, ocupa uma posição incomparavelmente superior à de qualquer mero santo. Só ela é Virgem-Mãe da Igreja e de todos os eleitos na ordem sobrenatural. No entanto, o Ofertório da Missa de Joana aplica a Joana um texto normalmente reservado à Santíssima Virgem: "Tu és a glória de Jerusalém, tu és a alegria de Israel, tu és a honra do nosso povo."


Longe de ser uma freira, Joana não tinha vocação religiosa, no sentido aceito. Com toda a devida proporção mantida, se o seu título original é legitimamente seu, ela ser de fato "a Virgem", é de fato sua prerrogativa, mas estritamente na ordem temporal. Parece que Joana está destinada a trazer, certamente não a Igreja, mas a renovada sociedade civil do Cristo Rei, a sociedade sobre a qual Ele prometeu a Santa Margarida Maria que Ele Reinaria em devido tempo como supremo Senhor, apesar de todos os seus inimigos. À direita da Virgem Maria, a Theotokos incomparável, pode, portanto, ser encontrada, sua serva fiel a Virgem Joana, a Politokos, virgem mãe do estado cristão.


"Não seria ela que recebeu a virgindade como seu próprio nome do céu, assim destinada a uma missão de primeira ordem?", Pergunta o Cardeal Pie. Pegando emprestada a linguagem de Santo Agostinho, ele observou:


“Deus estava vindo até nós mais uma vez, por um caminho virginal. Ele veio em Joana e através de Joana, não mais, é claro, para nos dar o Salvador, mas para nos dizer o que o divino Salvador deve ser entre nós: o Rei dos Reis e Senhor dos senhores ... A Santa Pucelle, vem à Terra para restaurar a noção da realeza do Filho de Maria, do Filho de Deus, ela tinha que morrer, tinha que oferecer o sacrifício de sua vida para garantir a aparência desta noção em todo o esplendor de sua verdade, na hora marcada pela Providência divina, para que pudesse ficar impressa nas mentes e penetrar em toda a sociedade.”


A Epístola da Missa de Joana, tirada do livro da Sabedoria, fecha com as palavras: "Eu irei colocar as pessoas em ordem, e as nações serão sujeitas a mim. Os Reis terríveis à escuta devem ter medo de mim; entre a multidão Eu serei bom e valente na guerra". No tempo Pascal o Aleluia canta "fecisti viriliter!" retirado do livro de Judith: "Você agiu como um homem [corajosamente], então agora reze por nós, porque você é uma mulher santa e temente ao Senhor."


Não é este o trabalho da mulher? Será que ela não tem que agir como um homem para fazê-lo, pois foi criada como um "adjutório semelhante a ele?" Para o bem ou para o mal, quer se goste ou não, as mulheres são as mães da sociedade civil.




Original aqui.


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Notas da tradutora:



*No original “tomboy” – menina com jeito de menino, levada, ativa, menina moleque.


**raison d'être - razão de ser, razão da existência.


4 comentários:

  1. post muito esclarecedor mais uma vez, feministas odeiam mulheeres de verdade q sao mulheres de sucesso mas que nao deixam de ser mulheres

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  2. É verdade! O feminismo é uma ideologia que em vez de dar o devido valor à mulher, termina tirando o seu valor e reduzindo-a a uma máquina a serviço do Estado, das empresas, do Diabo. Serve a tudo, menos a Deus!

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  3. Alícia Henriques Coan1 de fevereiro de 2012 16:12

    SM, Andrea!
    Tenho a sorte de morar em um bairro que tem por nome Joana D'arc. Que ela nos ajude nessa difícil jornada, para que sejamos cada dia mais femininas e menos feministas. Um grande abraço.

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  4. Salve Maria!

    Amém!

    Alícia, a luta é grande! O mundo se opõe ao que é de Deus e por isso odeia a modéstia, odeia a feminilidade!

    Grande abraço!

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